"variações um"
uma pessoa
passa anos
a construir segurança,
assertividade, autosuficiência,...
e depois chega
um encontro casual
ou um sorriso semelhante
ou uma memória sorrateira,...
uma dessas merdas
feitas para nos foder o dia com laivos de esperança
e puff
o coração
quer o que quer
"
variações dois"
uma pessoa
passa anos
a construir paredes
com nomes bonitos:
segurança,
assertividade,
autossuficiência,
amor-próprio,
essa merda toda.
aprende a não precisar,
a não esperar,
a não confundir
um gesto
com uma promessa.
fica boa nisso.
fica mesmo boa.
até que um dia
um encontro casual,
um sorriso
demasiado parecido
com outro,
uma memória
que se escondeu
anos dentro de uma gaveta
resolve aparecer
sem pedir licença.
uma dessas pequenas merdas
que a vida guarda
para nos foder o dia
com uns laivos de esperança.
e pronto.
puff.
lá se vai.
no fim
por mais que uma pessoa
se construa,
por mais que se proteja,
por mais que se convença
que sabe
o que não quer
o coração
quer
o que quer.
"variações três"
uma pessoa
passa anos
a fechar portas.
chama-lhes
segurança.
depois,
um sorriso.
ou nem isso.
uma coisa parecida
com qualquer coisa
que já foi.
e de repente
há uma fresta.
só uma.
passa anos
a fechar portas.
chama-lhes
segurança.
depois,
um sorriso.
ou nem isso.
uma coisa parecida
com qualquer coisa
que já foi.
e de repente
há uma fresta.
só uma.
uma chega.
o coração,
volta sempre
a lugares
onde não devia.
puff.
num segundo.
e o pior
é que ele sabe.
só não quer saber.

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