"Let everything that's been planned come true. Let them believe. And let them have a laugh at their passions. Because what they call passion actually is not some emotional energy, but just the friction between their souls and the outside world. And most important, let them believe in themselves. Let them be helpless like children, because weakness is a great thing, and strength is nothing. (...) "
de "Stalker" (Andrei Tarkovsky)
Refletia se ser casal é assumir o risco da fragilidade. Respondeste que um casal se apoia mutuamente e e aí encontra força. (Sim! Verdade! Voltamos a dançar?)
Enquanto interpretavam "A Gaivota" de Tchekohv, a lua espreitava e eu ia rabiscando.
Não que não estivesse com atenção. Pelo contrário. Quando um copo está cheio demais, partilha-se! 😄
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"pólvora, incenso e mirra"
Tão certo como as casas não terem língua materna.
Tão certo como as balas não terem causas.
do maior
ao mais pequeno
todos os nomes
desvanecem
fronteira
é mera mentira
de crianças.
um risco que separa os meus brinquedos dos teus,
a tua história da minha,
como se houvessem duas humanidades
causas e casos
enchem
noticiário
após noticiário
até à exaustão
já os corpos caídos pelo chão
são da terra
sem outra pátria que os reclame.
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“ode a um secador de cabelo”
“as coisas avariam nas minhas mãos
as jarras partem nas tuas”
outras frases se poderiam listar
que apesar de falsas se alongam
causando dano.
aprendi a rir-me
da anedota da vida.
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“poeira”
quero um sonho em que não vacilo
para ao acordar
aprender
a não vacilar
um sonho em que sou sempre forte
para ao acordar
aceitar
a minha fragilidade um sonho em que sussurro
adeus
sem esperar
um até já
as pessoas
da terra onde as bebidas são todas
gratuitas
e onde trazem canapés
em travessas douradas,
todas essas pessoas
abastadas,
bonitas,
novas
e as novamente bonitas;
deviam deitar-se,
adormecer
e acordar
para um novo sonho.
quero um sonho em que amo
apenas
o suficiente
e
em que tudo
é gratuito
começando
pelo teu
sorriso.
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É bom sair para dançar.
É bom sentir o quanto preciso disso para ficar bem comigo mesmo.
Não desvalorizando essa parte, é bom demais sair para dançar e ter-te perto.
Mesmo com esse feitio de quando te apontam um caminho decidires que tens de traçar o teu (mesmo que chegue ao mesmo destino), quem sabe um destes dias não me agarras tu sem medos e me puxas para sussurrar um possível futuro em que o caminho se constrói na conjugação de vontades e num amor idiota de duas pessoas "que não são normais".
Ou me calas todas as divagações com esses lábios.
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(Os Calções de que falei quando te levei a casa -> )
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"O massacre dos lagostins" (um caso verídico)
Ao passar à beira rio torna-se evidente a seca.
Há zonas onde poderia atravessar a pé sem molhar os sapatos. Nas zonas com alguma água vêm-se um ou outro peixe grande solitário (serão trutas?).
Na ponte que vai dar à ciclovia onde costumam rondar os corvos olhei para baixo e vi a pedra perto da cascata coberta de cascas de lagostim.
Iggy é a prova da fragilidade de um sonho honesto mas também a prova de que se resistirmos ao que a vida nos atira é possível um sonho honesto ser a mais bela das vidas
no meio da noite voltei a sentir o "nós contra o mundo"
(mas sem qualquer conflito no "contra")
apenas uma cumplicidade gigante que até a mim me apanhou desprevenido! 💓
e hoje "sem medo o dia nasceu para ver dois pés de chumbo dançar." 😁
saudades? avalias o risco num lugar onde predomina um tema? isso seria ouvir um disco riscado quando a coleção de discos é extensa!)
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"caminho"
num caminho não linear alegria e tristeza dúvida e certeza intercalam
já fiz coisas de que não me orgulho e com frequência vi os sonhos virar poeira
agora
frequentemente
sinto que isso é passado
numa renovada vontade de ser e fazer melhor
em que as limitações
se resolvem com persistência e renovada vontade
tentando resolver as questões
com a procura de respostas em mim mesmo em que o outro não define forma mas pode trazer cor
agora
frequentemente as saudades do pêlo asinino e das ruas dessa aldeia
resultam em sorrisos
agora a poeira de sonhos passados
pavimenta novas ruas
num caminho não linear
onde
dúvida e certeza
intercalam
e,
como um homem apaixonado,
caminho para me cansar.
caminho para caminhar
entre lágrimas, sorrisos e um gosto em caminhar sozinho com uma pacifica esperança
de que um dia
alguém
me venha dizer que as saudades
estão insuportáveis
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recordas dançarmos?
somos dois pés de chumbo mas reinventemos os nossos passos ao nosso ritmo e dancemos sem medo até ser dia pois sem medo até o dia nasce para ver dois pés de chumbo dançar.
Não há nada, absolutamente NADA de errado com colo! 😑
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"Conversas no Espinhal"
(escrevo reflexões para mim mas escrevo como que para ti mesmo tendo dito que não me lês. por vezes escrever ajuda. é melhor que encher a cabeça às pessoas (e a minha)! 😅 )
"É muito fácil voltar ao mesmo e isso é bom. Por outro lado pode ser muito fácil voltar ao mesmo e isso nenhum de nós quer."
Acho que se aprendeu muito e estou sempre disposto a aprender mais (sozinho ou não). No que toca a trabalho e vontade a dois, querer sempre resolver coisas, ter sempre esperança em melhorar e sentir amor no meio de tudo é bom mas precisa de vontade da outra parte. Abril mostrou que nem para dialogar estavas disponível. Será compreensível quando se está preso ao fantasma de diálogos em círculo. Será incompreensível na parte em que para terminar se projeta culpa no outro. Reaprender a falar/ouvir? Dar espaço/tempo? Tentar compreender as 2 opiniões divergentes em cada conflito do passado? Fazer paz com a história pessoal e de casal? Tudo boas soluções, dignas de constar na lista que sugerimos para a mesinha de cabeceira mas sem vontade nada se faz (e isto não tem nada de juízo de valor. mera constatação). Poderia tentar recomeçar: "olá, sou o Ricardo, acho-te fantástica ao ponto de me fazeres querer sempre tentar ser uma pessoa melhor e tenho um problema grande de ansiedade." Mas mesmo entre todo o meu amor não quero estar com alguém que "satura" quando estou a tentar lutar com esse problema (ganhei também amor por mim). E se és ou não esse tipo de pessoa ou estás presa ao passado, a receios, a insegurança, se também tu te perdes numa vontade de resolver tudo e te sentires responsável por tudo,... só tu saberás. Compreendo a saturação perfeitamente, não compreendo a falta de vontade em arranjar soluções (e nisso também eu falhei muitas vezes lá atrás!). Se simplesmente és uma pessoa que já nem quer perder tempo a pensar em nada disto, que está bem assim e segura de si... melhor ainda. Eu demorei a perceber que não sou "uma pessoa com problemas de ansiedade". Que tenho isso mas sou muito mais que isso. Aperceber-me ajudou a ter força para tentar que o que não gosto não ocupe tanto espaço.
Dizer que "nada tens a trabalhar" é estranho de ouvir não apenas como pessoa que ainda te ama mas como pessoa que se preocupa contigo e te quer bem. Estou a trabalhar em mim e imagino que seja tarefa para a vida. Espero ter essa lucidez e vontade. Tu dizes não precisar de trabalhar em ti. Para não se "voltar ao mesmo" na parte má teríamos os dois de trabalhar. Não apenas um. Mas isto é a cabeça de quem ainda acredita e quer. De quem acredita que as relações têm desafios tão grandes quanto o sentimento que as une (daí os nossos desafios serem sempre enormes 😄 ). A preocupação que senti com o teu "não tenho nada a trabalhar" não é preocupação de quem te quer, muito menos de quem te quer mudar mas de quem sentia que também carregas inseguranças e medos antigos que se agudizaram. Tu própria mudarás "quando e se" sentires essa necessidade tal como eu o tento fazer agora por mim. Para estar melhor e mais feliz. 😊 O que interessa mesmo é estarmos bem. Se acreditas que, olhando para trás, tudo está bem então, para ti, estará bem.
Chegar ao momento de sair do Espinhal e sentir-me bem com isso foi novo. Se pensar naquela saída em abril (antes da conversa toda) em que queria não regressar a Viseu e numa altura em que me sentia seguro do teu afecto, sentir-me bem em sair assim com um amor meu mas que da tua parte não tem nada para se segurar é estranho sim. Mas um estanho bom. São duas coisas bem diferentes: naquele dia era a vontade de querer uma vida a dois e de saber como se poderia definir isso em termos de vontades, lugares, gestão de tempo,... tudo coisas normais. Somado de algum cansaço de quem se mete em muitas coisas (como ambos, cada um à sua maneira temos e que talvez se acentue quando estamos juntos e não será também necessariamente um cansaço "mau". há o perigo de nos roubarem tempo, paciência ou mero espaço mental para outras coisas mas não acho essas tarefas más por si.). Creio que a diferença no sentimento desta vez foi ter estado "mais ali" no pouco que estive, estar contente com o que se viveu precisamente por ser menos mas eu estar "mais" e ter vontade de que também fiques bem. E talvez esta coisa nova de encontrar algum bem estar em mim / por mim. Encontrar-me e agir mais de acordo comigo e menos refém de patologias nervosas. Não me senti bem "por vir embora". Senti o mesmo amor, apenas lido diferente com ele. Será por estar de férias e não ter um regresso ao trabalho? Tenho quase certeza absoluta de que não é isso. Gostava de ficar mas não assim e mais que isso: gostava de ficar mas não queria de todo ficar agora. Confuso, não? Mas sinto-o como bom.
Para além disso estar "mesmo" nos sítios e situações. Tem sido mais frequente conseguir não me perder em ansiedade, estados depressivos, receios,.... Desde o passeio na Malcata até passear no Espinhal, estar com chichos, ajudar com abelhas... o tempo foi pouco mas rendeu mais. O ênfase não esteve na vontade de ficar (que ainda lá estava, claro) "mas..." mesmo essa vontade estava bem diferente. Saboreei cada bocadinho e o pouco fez-se muito. Sei que com perfil ansioso infelizmente não será regra. Mas quem sabe o "estar aqui agora" não pode tornar-se um pouco mais frequente ? A ver vamos. Para já foi tudo bom. O truque será não projectar. Não valorizar demais um dia em que só eu tenho amor e não fazer das coisas algo que não são. Os truques vamos aprendendo.. já a magia está em todo o lado! 😁
(sinto que escrever ou mesmo raciocínios que talvez sejam recorrentes são cada vez mais desnecessários. será bom? o certo é que o trocava um um fim de dia com amigos ou contigo onde a variedade de temas é mais ampla. será que também te sentiste melhor pessoa comigo algures nestes anos? )
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But us, like other angry whores Discuss what threats were made before You don't need them anymore
You know more than I know
Instead we read the morning news In bed, what endlessness ahead And there's no more to be said
You know more than I know
The blind may see but stay behind Relief of all liability and greed And there's nothing more you need
You know more than I know
No one listens to it They don't believe it But it's the only way for me
You know more than I know
What crap, old chap, fills up the gap We set like traps, like traps for us, the rats And there's nothing more to catch
You know more than I know
Then bury me deep down among the weeds That creep into the hearts of all the weak And there's nothing more so weak
You know more than I know
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Não tenho receio. Embora frágil, permeável e transparente nessa fragilidade sinto força. Vejo o passado e não me escondo. Vejo o futuro e quero os desafios que ele traz.
Insisto no que cada vez mais parece ser o mais rebelde dos actos sem para tal fazer nenhum esforço.
É onde inevitavelmente estou. "É um sitio mau para estar. É o melhor dos sítios para estar."
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E... As boas Leituras continuam 💓
Simples e, como a maioria das coisas simples de uma beleza estonteante!!!
"Não era você que eu esperava" de Fabien Toulmé
A arte de Alberto Breccia sempre excelente.
"informe sobre cegos" de Breccia & Sabato
Excelente adaptação do livro de Manuel Rojas para BD!
"Filho de Ladrão" de Christian Morales & Luiz Martínez
vi, senti e dei a mão. não me senti preso nem intimidado em conversas. tomei iniciativa. fui. não fiquei preso em mim, ajudei, abracei. estive lá para os outros como quase sempre quis estar nas coisas simples a intenção não nasceu e morreu em mim mas materializou-se em ação. (e isso fez a diferença) li-o nos olhares e sorrisos. e no fim do dia sem certezas de dominar a arte, senti que me libertei. Hoje tomei eu conta dos outros. fui menos bicho. Hoje senti-me bem comigo. Hoje eu fui eu.
(e reparei que hoje a borracheira tem 7 pontas novas ! Parece que estamos os dois contentes! 😁 )
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o meu pedido de carinho, cuidado comigo e conversa que pode fazer diferença entre um abraço bom ou um que magoa. o teu direito a ir onde quiseres sem te fazeres anunciar. as coisas feitas no teu tempo. o teu impulso que sempre ganha.
a tua auto-preservação atropela o meu bem estar e dás a entender que tem de ser assim : abraças porque tens esse impulso, não conversas antes nem depois porque não tens vontade. Meses em que me dás a entender que eu falar ou fazer algo que me aproxime de ti é egoísmo meu e vai dificultar o teu processo para teres força. Será assim tão estranho estranho ler agora eu egoísmo em ti?
Não tens conversas desconfortáveis quando o outro pede, ages de impulso, não refletes em conjunto nem tivemos conversas a dois antes de decidir terminar a relação ... Estamos nos 40 e comportamo-nos como 18. Compreendo que a tolerância para o diálogo fique em níveis baixos com conversas circulares e quando precisamos de espaço para reaprender a falar e a ouvir. Relações longas são exigentes. Procurar soluções não é "para meninos" e ter força de as tentar aplicar menos ainda. Por vezes precisamos espaço, pausas ou outras coisas que não imagino. Mas há carga pessoal e de casal que é bom largar seja para o que for que o futuro traga, e fazer paz com a nossa história e não a confundir com histórias do passado não é tão simples como possa parecer mas é bom.
Amo-te. Se ainda não reconheces o quanto no teu esforço de ficares bem tens atitudes em que falhas o respeito pelo outro ambos precisamos crescer. Não "para mim" nem "por nós", mas porque acredito que te vai fazer bem a ti.
Embora sinta que não houve esse respeito, por aqui há força, tolerância, amor, vontade de aprender e compreender. Estou também disposto a aprender o teu lado e a que me mostres que esta perspetiva está errada ou desajustada se quiseres. Não guardarei rancor destes episódios, não guardo dos antigos mas não posso com isso negá-los e "poupar-te" desses factos permitindo-te permanecer numa ideia falsa. São a nossa história. Nem mesmo a caminhar para outra relação a podes apagar. Não fugimos de nada se não de nós mesmos. Já te vi fugir de ti umas tantas vezes. Mesmo que este assunto não te seja relevante, faz uma pausa nos impulsos, usa o teu tempo e encara-te sem medo sempre que possível. Tal como tu me queres mais forte e maturo em certas coisas também eu te quero assim apenas por ti.
Mais que isso até, se hoje consigo ter calma no meio da tempestade sei que me empurraste para ela, sei o que deste de ti nesse processo. Estar ciente de tudo com mais calma não quer dizer que esteja tendencioso. Demorei décadas para começar este meu trabalho. Teria sempre de partir de mim e tinha entraves exteriores e (muitos) meus. Durante estes anos não duvides que ajudaste a mudar isso com a tua força e o teu amor. Talvez o amor que me deste em todo processo seja o que desapareceu de ti. Talvez tenhas gasto demais. Chegados aqui estou com clareza para te apontar o que me magoa mais facilmente mas claro que não me posso limitar a isso e tenho de reconhecer tudo o que deste. E no meio da nossa imperfeição, encontros e desencontros, o que deste foi sempre imenso. Por isso por mais que a terra trema, o vulcão expluda e a lava me rodeie os meus passos tremem e por vezes temem mas sigo certo do caminho.
O coração continua na mesma. A mão continua aberta para o que for preciso. Fica bem meu amor.
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A cada dia que passa, por entre divagações, inquietude, alguma tristeza ou até mágoa noto que a paciência e tempo gastos nisso são cada vez menores e que a vontade de querer aproveitar o dia e a vida perduram, bem como um sentimento de amor e um bem estar que vem com esta realização que procurei durante anos em sítios errados.
Quero-te perto mas não preciso de ti.
É um pouco chato estar aqui sem ti mas é ótimo estar aqui.
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"I will not be safe" - Alabaster DePlume
I wanna say somethin' to the machine
And it's like this
I was writin' about
I was writin' to myself ab-
Well, I was writin' to someone about, um
How I wanted to do this thing
And I, and I thought about how I want to live as well
And what I wrote was, uh
I will not be safe
I will be magical
I will be open and true and good
It will be the sound of me being magical
I will be incomplete
I will not be safe
Love is not safe
Courage is not safe
I have the greatest gift of all to give
It's my love
It's the best thing in the world
And even though it doеsn't need to be receivеd
For it to be so great
I will not be sheltered, even by this fact
I will not choose cynicism
Or take it up on its delicious, bitter offer
That is so comfortin' and familiar
And final and fatalistic
I won't need any promises nor denials
I do not have the answer
I won't compose an endin' to defend myself from blisterin' rays of hope
And I won't hide behind a matchstick of a sweet little word, either
I will be naked like water
It's the worst place to be
It's the best place to be
It's where we are anyway
I will be there, I am there
I will be!
Vieste mais uma vez no teu tempo falar de portas abertas. Não recebeste bem o meu ponto de vista sobre isso. Mesmo assim consegui sentir algo bom em estar contigo. Por entre altos e baixos o saldo do tempo contigo é sempre, para mim, positivo. Um sorriso teu salva vidas. Falei de um dos temas que me é mais querido e o castelo desmoronou. Saíste e fechaste a porta novamente.
Recordas de desde janeiro ter dito que para mim a banda não era prioridade? Tinha uma ideia fincada de que esse espaço de ensaios e concertos precisava de ficar livre para nós ou até apenas para ti. Estava pontualmente carente e inseguro (naquele contexto como não estar um pouco?) Mas estava finalmente calmo e predisposto a encontrar esse meio termo contigo. Foi raro: tu tinhas mais vontade de tocar que eu e por mim estava tudo bem. Será que acreditas se disser que nesses meses tirava um bem estar quase igual em por exemplo te ir ajudar com as abelhas?
Agora pedi para tentarmos despedir da banda de um modo bonito. Nem ponderaste. Dei 20 passos atrás.
Na mensagem mais recente antes do teu convite disse-te que ainda amo. Como consegues fazer todas estas coisas assim? Pareces estar bem sem mim e sabes que eu não estou ainda bem sem ti, que impulso te levou a vir dizer que abres uma porta ? Se era apenas saudades assume como tal e aborda-me apenas com isso. Se queres amizade mesmo sabendo bem que eu ainda não a consigo pondera melhor. Se queres uma porta aberta para a qual nem tu estás preparada pondera melhor. Porque te magoa tanto eu ainda sonhar com filhos nossos? (e se te disser que a minha confiança nessa ideia chega ao ponto de nos imaginar bons pais mesmo sem uma relação "nossa"?)
O teu querer é claro: não queres o meu amor. Mas o teu sentir parece ainda estar preso e com dúvidas.
Se foi o teu sentir que te fez quebrar tudo na relação não queiras forçar agora o que sentes para teres uma amizade "de porta aberta" se ainda tens aí coisas em conflito. Já deste direção e decisão ao que sentes. Não digo que estarás errada quando negas ter amor por mim (só tu saberás isso) mas para seguires dá-te mais tempo a ti mesma e reflete melhor sobre o que sentes / não sentes. Eu faço-o. Olho com amor e olho friamente. O que tanto magoou e o que arrebatou. Acredita: por vezes gostava que depois da minha reflexão a conclusão fosse outra. Peso tudo. Recalculo. Vejo se a balança quebrou... nada! Ainda amo.
Por aqui também foi duríssimo. Desde o quanto por vezes é mesmo difícil estar só, até tentar lutar contra isso, planear para tentar estar com amigos e infelizmente sair tudo furado. Levar com este abrir e fechar de portas sem compreender razão nem o tempo dele.. Tens atitudes brutais ao terminar, tens estes atos egoístas e impensados.. em que o outro é sempre colocado em 2º plano ou nem tido em consideração. Por vezes por questão de luta pelo teu bem estar e isso é mais que justo (um "egoísmo necessário e saudável") por outras nem por isso (o teu bem estar não deveria significar magoar os outros). Digo tudo isto sem nenhuma mágoa nem sequer querer que isto seja um julgamento. Será que consegues ler nisto alguém que te conhece mesmo? Que te vê nua, inteira no melhor e pior e mesmo assim sente que te ama? Para mim tudo isto é ver-te como és. Sem cobrança, sem querer com estas observações magoar mas também sem ilusões. E se dúvidas há: não quer isto dizer que gosto de me magoar mas conheço-te completa e é completa que gosto de ti. Apanho-me do chão, relativizo e vou buscar forças não sei onde. (Sim, ainda tenho onde ir buscar forças) Ainda tenho amor. Por mim e (estupidamente?) também por ti. A porra do sentimento é mais resiliente que sei lá o quê... 😄
Queremos estar mais fortes. Por vezes estamos. Mas até em ti o que queres como apenas amizade ainda tem muito amor misturado. Não? Se queres amizade tens de deixar o tempo e a ausência fazer o que fazem sempre a todos e a tudo.
Tal como deixar de fazer coisas com bandas e viagens para estarmos juntos te abre para novas possibilidades e predisposições, também deixar de conviver comigo te leva a novos lugares, novas pessoas e aos poucos as coisas boas que tivemos e todos os planos em conjunto cairão numa vaga memória e deixarão de doer.
Todas as conversas que queres que se tenham "sem ser sobre a relação" são relação. Será que achas que de janeiro abril não houve relação? Nós passámos quase 2 anos juntos em negação sem querer ter relação, devíamos saber reconhecer estas coisas! 😂Será que queres isso? Estar comigo sem falar deste assunto chato e recorrente? E não te assusta que entre nós tirando este assunto nos damos bem (demais?).
Nem tu! Quanto mais eu... Ainda não estamos assim tão fortes para não ter amor. Não desesperes, seja o que for que a vida traz. Ficaremos mais fortes.
Por hora parece que, com quereres diferentes, ainda temos amor. E então? Temos algo bom. E isso é bom.
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“sincronização”
com um oceano a separar
ouviam no outro
uma linguagem imperceptível
e assim,
tanto um pedido de ajuda
como uma declaração de amor
corriam sérios riscos
de naufrágio
no dia em que a terra voltou a tremer
em vez de se porem a salvo
perdiam tempo a tentar dar direções um ao outro
por entre dialetos ininteligíveis e cascalho
um sorriso salvou o dia
despiram-se, fizeram-se ao mar e reaprenderam a comunicar nos silêncios