16/01/26
04/01/26
01/01/26
Kim & Leanne // fim de ano
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o ano finda.
arruma-se sem barulho.
devagar.
dentro das palavras.
leva algo
que pensámos ser nosso.
deixa
pequenas perguntas,
gestos interrompidos,
frases inacabadas.
semeia histórias.
oferece
possibilidades.
amanhã,
com outra data,
convidamos palavras novas,
faremos paz com as antigas.
não sabemos descrever melhor
essa forma de perder
o que ainda está connosco.
O melhor de 2025
são as saudades
que sempre terei.
27/12/25
Snapped Ankles // "Lazaro?" // Fool's Gold
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saudade não é falta,
nem excesso de silêncio.
é quando o não dito
fala alto.
ausência
é maneira de estar
sem estar.
uma presença educada
que não se senta.
porque escrever é uma forma de chegar
e estamos proibidos de chegar.
as regras
de parecerem necessárias.
21/12/25
The Fall // "Vento" // Bill Callahan
tudo o que virá
sem forma e sem nome
o futuro será
"Café" // Cleaners from Venus
"Café?"
A saudade não pede licença, entra a pontapé,
fica quando tudo falha e orgulho cai.
Uma chónice do caralho.
Não salva ninguém, mas aguenta o dia,
como um murro no meio do peito.
Eficaz.
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20/12/25
Dream Syndicate // "o equilibrista" // Nicotine's Orchestra
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"o equilibrista"
trago o nariz torto
a alma à mostra
e com eles danço no meio da sala,
ninguém se salva da própria máscara
quando o absurdo decide ser terno.
fico assim, desajeitado,
como quem pousa o casaco no riso,
e percebo: só somos inteiros
quando não fingimos estar direitos.
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19/12/25
Tall Dwarfs // "repetição #2"
"repetição #2"
Acordo.
Sento.
Levanto-me para continuar.
Nada acontece.
Mas agora com mais luz.
07/11/25
"hora de inverno" // My Bloody Valentine
"hora de inverno"
17/09/25
"as crianças não fazem barulho" // Pram
"as crianças não fazem barulho"
com um tipo de luz
que não aquece,
é retirado dos escombros
em brilhantes embalagens
nenhuma lágrima.
há contratos assinados
por mãos
que nunca
mas que desenham mapas
com sangue.
"é muito complicado"
e depois voltam à pizza,
à série,
ao sofá.
sem ninguém para varrer,
os corpos acumulam-se
como folhas de outono.
pequeno, sujo, faminto,
que ainda acredita.
uma mão que se estende
às vezes disfarçada de loucura,
ou de poesia mal escrita.
e um dia vai gritar
Ouçam o que vos digo!



