"ida"
A distância não são quilómetros
é a cadeira vazia na cozinha,
o telemóvel iluminado às três da manhã.
vivemos afastados
separados por salários curtos,
mapas desenhados a régua,
e fronteiras que cabem dentro do peito.
Num receio pequeno, insistente,
que mastiga o futuro antes de ele nascer
vamos guardando um casaco bom
para um inverno que nunca chega.
Mas
é também fresta por onde entra o ar.
Se nada está garantido,
tudo ainda é possível.
comprar passagem só de ida
como quem acende uma luz pequena
num quarto demasiado grande.
mas, dentro dela,



