03/06/26
25/05/26
Frank pahl // "coisa" // thee milkshakes // "Por vezes"
"olá"
bemvindo
persistente
anónimo
a resposta é:
sim. ainda.
--""--
"coisa"
a coisa
instala-se devagar,
como humidade nas paredes,
como um nome que deixamos de dizer
para não gastar o pouco que resta dele.
respondo a amigos com frases breves
para que não percebam
o tamanho do silêncio.
---"""---
"por vezes"
por vezes a saudade não dói.
apenas acompanha.
senta-se ao lado.
olha pela janela.
um animal cansado
que finalmente aprendeu
a não pedir para entrar.
13/05/26
Thee Headcoats // "o mundo" // Gram Parsons
o mundo
como quem tropeça.
e isso basta
06/04/26
arritmia // spacemen 3 // lee hazlewood
"arritmia"
dentro de mim
há um relógio
que desaprendeu
não bate as horas
hesita
como se cada segundo
tivesse de pedir licença
os médicos usam
uma palavra arrumada
com sílabas
que parecem saber o que fazem
cá dentro
é mais
um pássaro
que se esquece do céu
e tenta voar
aos soluços
há dias em que tudo corre bem
tum-tum
como um comboio
apenas chega
outros
distrai-se
olha pela janela
perde a estação
é
uma espécie de intervalo
um silêncio mal colocado
no meio da frase
que sou
---"""---
senta-se
onde a luz da tarde
fica parada.
como quem esquece
o caminho de volta.
como quem pede licença
já dentro de casa.
não diz nada.
nunca diz nada.
escreve
papéis invisíveis
cheios de coisas
que quase fomos.
05/04/26
01/03/26
Los Mirlos // "ida" // Bobby Fuller Four // Ty Segall
"ida"
A distância não são quilómetros
é a cadeira vazia na cozinha,
o telemóvel iluminado às três da manhã.
vivemos afastados
separados por salários curtos,
mapas desenhados a régua,
e fronteiras que cabem dentro do peito.
Num receio pequeno, insistente,
que mastiga o futuro antes de ele nascer
vamos guardando um casaco bom
para um inverno que nunca chega.
Mas
é também fresta por onde entra o ar.
Se nada está garantido,
tudo ainda é possível.
comprar passagem só de ida
como quem acende uma luz pequena
num quarto demasiado grande.
mas, dentro dela,
16/01/26
04/01/26
01/01/26
Kim & Leanne // fim de ano
---"""---
o ano finda.
arruma-se sem barulho.
devagar.
dentro das palavras.
leva algo
que pensámos ser nosso.
deixa
pequenas perguntas,
gestos interrompidos,
frases inacabadas.
semeia histórias.
oferece
possibilidades.
amanhã,
com outra data,
convidamos palavras novas,
faremos paz com as antigas.
não sabemos descrever melhor
essa forma de perder
o que ainda está connosco.
O melhor de 2025
são as saudades
que sempre terei.
28/12/25
"distância" // Davila 666
"distância"
não é espaço.
mas o que se acumula
quando ninguém pergunta.
silêncio
é uma política
aprendida.
mas treinamos muros
com eficiência
cada gesto contido
cada mensagem
é um voto a favor
o silêncio parece neutro
mas trabalha sempre
para alguém
no fim
não nos separa o longe.
separa-nos
o hábito
de calar
no momento exato
em que dizer
ainda podia fazer






