Sei de tempestades sem céu.
Nascem no peito,
dobram o silêncio.
Percorrem todo um bosque
inclinado-o ao vento
como quem fecha a mão sobre memória
mas deixa a luz passar entre os dedos.
Também essas tempestades
sabem partir.
Nascem no peito,
dobram o silêncio.
Percorrem todo um bosque
inclinado-o ao vento
como quem fecha a mão sobre memória
mas deixa a luz passar entre os dedos.
Também essas tempestades
sabem partir.
Passamos anos
a chamar destino
ao medo de escolher.
As ilusões são educadas.
entram devagar,
convencem-nos
de que a vida ficou melhor.
Depois vai-se a luz.
o realismo
tem olheiras.
contas por pagar.
silêncios
que ninguém aplaude.
Mas fica.
honesto
como quem permanece
quando não há promessas.
Ao insistente realismo
chamo desafio.
é esse o meu tipo de loucura.

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