26/06/11
25/06/11
24/06/11

Munique-Paris, de 23 de Novembro a 14 de Dezembro de 1974.
«Outra pessoa apanhava de imediato um avião e estava em Paris numa hora e meia. Werner Herzog preferiu demorar três semanas, porque acreditava que quanto mais tempo demorasse mais tempo a sua amiga Lotte Eisner tinha para ficar boa. Ele confiava nos sonhos mais tresloucados, e nada impedia que aquela viagem de Inverno impedisse a morte de alguém.
Herzog atravessa bosques, aldeias, rios, vinhas, passa por radares, locais históricos, inscrições religiosas, vê corvos, cães, veados, extasia-se com as estrelas, avança pelo vento e o nevoeiro, sofre a chuva e a neve. Quando chegou a Paris, encontrou a quase octogenária Lotte doente mas estável. «Alguém lhe deve ter dito por telefone que eu tinha chegado a pé - eu não queria revelá-lo. Sentia-me embaraçado e pousei as pernas doridas num segundo sofá que ela empurrou para perto de mim.» Em silêncio, ela agradece o esforço, ele está esfusiante por ter conseguido. Lotte Eisner morreu em 1983, e só não morreu nove anos antes porque em 1974 Werner Herzog não a deixou morrer.»
«Outra pessoa apanhava de imediato um avião e estava em Paris numa hora e meia. Werner Herzog preferiu demorar três semanas, porque acreditava que quanto mais tempo demorasse mais tempo a sua amiga Lotte Eisner tinha para ficar boa. Ele confiava nos sonhos mais tresloucados, e nada impedia que aquela viagem de Inverno impedisse a morte de alguém.
Herzog atravessa bosques, aldeias, rios, vinhas, passa por radares, locais históricos, inscrições religiosas, vê corvos, cães, veados, extasia-se com as estrelas, avança pelo vento e o nevoeiro, sofre a chuva e a neve. Quando chegou a Paris, encontrou a quase octogenária Lotte doente mas estável. «Alguém lhe deve ter dito por telefone que eu tinha chegado a pé - eu não queria revelá-lo. Sentia-me embaraçado e pousei as pernas doridas num segundo sofá que ela empurrou para perto de mim.» Em silêncio, ela agradece o esforço, ele está esfusiante por ter conseguido. Lotte Eisner morreu em 1983, e só não morreu nove anos antes porque em 1974 Werner Herzog não a deixou morrer.»
23/06/11
ladaínha de junho
não vás por aí
que isso ruma a longe demais
onde os pés não tocam terra
onde se esqueceram os pais
onde a terra não dá fruto
onde ningém sabe quem é
e já ninguém diz 'bom dia'
e todos almoçam de pé
e seguem atarefados
com muitos papeis na mão
por passeios e calçadas
cimentar o coração.
que isso ruma a longe demais
onde os pés não tocam terra
onde se esqueceram os pais
onde a terra não dá fruto
onde ningém sabe quem é
e já ninguém diz 'bom dia'
e todos almoçam de pé
e seguem atarefados
com muitos papeis na mão
por passeios e calçadas
cimentar o coração.
22/06/11

It's Not Who Lived Here
but who died here;
and it's not when
but how;
it's not
the known great
but the great who died unknown;
it's not
the history of countries
but the lives of men.
and it's not when
but how;
it's not
the known great
but the great who died unknown;
it's not
the history of countries
but the lives of men.
fables are dreams,
not lies,
and
truth changes
as
not lies,
and
truth changes
as
men change,
and when truth becomes stable
men
will become dead
and
the insect
and the fire and
the flood
will become
truth.
and when truth becomes stable
men
will become dead
and
the insect
and the fire and
the flood
will become
truth.
21/06/11
20/06/11
fragmentos
acordei
mordido por formigas
werzog
fuga por entre a calçada dá entorces no pé
baile ao pé do rio
dois
feveras e sardinha
queria um beijo teu, no coração
e tu? és feliz?
espero que sim.
mordido por formigas
werzog
fuga por entre a calçada dá entorces no pé
baile ao pé do rio
dois
feveras e sardinha
queria um beijo teu, no coração
e tu? és feliz?
espero que sim.
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